melhores e piores: copa do mundo – notas
Eu torci para o Paraguai deu Espanha, eu torci para a Alemanha, deu Espanha, eu torci para o Brasil, deu Holanda, eu torci para o Uruguai deu Holanda, eu torci para a Holanda deu Espanha! Torci também para a Itália, para a América Latina e para os países africanos. Mick Jagger que nada, meu pé nesta Copa foi muito mais frio. Acho que nos próximos meses torcerei loucamente pelo Internacional na Libertadores. Dados este estado das coisas, algumas observações pessoais sobre a Copa do Mundo da África do Sul.
→ Difícil dizer o que é mais constrangedor, se ter como campeão de uma Copa do Mundo um time jogando o futebolzinho ridículo que a Espanha jogou, ou se ver boa parte dos comentaristas e imprensa esportiva brasileira exaltando o futebol apresentado pela seleção espanhola. A Espanha perdeu pra fraquíssima Suíça na estréia, fez 2 a 0 em Honduras, 2 a 1 no Chile, ganhou de 1 a 0 todos os outros 4 jogos. Passou de Portugal com um gol em impedimento, passou das quartas de final (com as calças na mão) com um gol paraguaio mal anulado pelo juiz, fez uma partida realmente boa (e pra mim inexplicável) em que ganhou da Alemanha, e fez 1 a 0 em cima da Holanda em um gol que surgiu de um erro do juiz. Não acho justo dizer que uma seleção que foi campeã mundial não mereceu o título, mas a vitória do Barcelona (ops, Barcelona sem Messi) mostra como foi fraco o nível do futebol do torneio. A Espanha fez 8 gols em toda competição! Oito! E ainda temos que ouvir dos comentaristas esportivos que a vitória espanhola mostra que esta é a redenção do futebol bonito, bem jogado, envolvente, futebol pra frente. 8 gols eu disse, 8 gols!! O jogo da Espanha são mil toques na bola, 90% de posse de bola e uma objetividade de dar sono. Sinto muito, pra mim envolvente foi a Alemanha que meteu 4 na Argentina, e não recebeu nem a metade dos elogios. Veja bem, não é nada contra o país Espanha, nem contra os jogadores espanhóis (ainda que o único que me pareceu realmente emocionado tenha sido o goleiro Iker Casillas, que aliás tem um dos nomes mais legais que eu já vi), mas este futebol mostrado pela seleção espanhola… sinceramente eu não vejo a graça.
→“Craque” da Copa: O grande jogador da Copa foi Diego Forlan, justíssimo, nenhum outro jogador foi tão importante para sua seleção como o uruguaio. Virou lugar comum, mas é verdade, foi uma Copa sem craques. Cristiano Ronaldo não chamou a responsabilidade em um esquema tático que também não o ajudou. Messi jogou direitinho e tal, mas mostrou que sua especialidade não é a seleção argentina. Kaká, com problemas físicos mais uma vez decepcionou em tentar ser o “homem Copa”. Drogba não apareceu com seu time e Rooney, visivelmente mal fisicamente, afundou com uma Inglaterra que padeceu de desfalques e unidade (ou como vi em um tweet “Terry, there’s no I in ‘team’, but there is one in ‘dick’”). Em 2006 Zidane, apesar da vergonhosa despedida, carregou sua seleção à final, este ano, mesmo na campeã Espanha não houve grande destaque.
→ Personagem da Copa: Maradona foi ovacionado pelo seu povo (sabe-se lá como depois de sair da Copa de quatro), mas o fato é que ninguém mostra tanta decadência no futebol quanto o grande argentino. Ele já foi comparado a Pelé (ou melhor, comparou-se a Pelé), daí quando se tornou técnico começou a ser comparado com Dunga, e por fim, perdeu o posto de personagem da copa para um polvo! Paul manteve-se 100% na Copa, foi o único. Surreal foi ver os noticiários, sem muito o que falar no fim de Copa trazendo especialistas para confirmar que o polvo não tem nenhum poder mediúnico de fato.
→ Pior da Copa: as arbitragens. Se aquilo é o melhor que a FIFA tem pra mostrar em termos de arbitragens, imagina como são os outros campeonatos. Aliás nem precisa imaginar, é só ligar a TV e ver o que fazem no Brasileirão. Só que na Copa foram 32 câmeras por todos os lados. Desde o gol de braço de Luis Fabiano, com direito a risadinha do juiz, ao acintoso impedimento de Tevez contra o México, culminando no absurdo gol não dado aos ingleses contra a Alemanha. Este último um dos erros mais grotescos que eu já vi um juiz cometer. Na final, para não destoar do resto da competição, Howard Webb, entre tantos errinhos aqui e ali (inclusive dando um tiro de meta quando deveria ter dado um escanteio que poderia mudar a história do jogo), resolveu não se comprometer e deixar o campo para golpes como o do holandês de Jong, que fez algo que nem o Felipe Melo (quiçá o goleiro Bruno, já que este parece só ter coragem contra mulheres e em grupo) seria capaz de fazer.
→ Objeto da Copa: fico entre a Jabulani e as vuvuzelas. A Jabulani foi tão pitoresca que marcou um novo marco para as bolas na Copa do Mundo. O Brasil todo já tem que pensar em um nome muito bom para a próxima copa (e nada de Samba ou Canarinho, como a Globo quer incitar), muitos já acham que a bola de 2014 tem que ser Gorduchinha. Eu pelo menos pelos próximos 4 anos, só me referirei às bolas como Jabulanis. Já as vuvuzelas infernizaram a vida de muitos, foram xingadas até a alma e ao chinês que as produziu. Fazem de fato um barulho chato, mas eu acho que cada um torce do jeito que quer (dentro da medida do cabível, claro) portanto deixa o povo tocar vuvuzela.
→ Chato(s) da Copa: são tantos que é difícil eleger um só. Galvão Bueno é hors concours, mas Galvão não é “chato da Copa”, Galvão é chato e ponto. Galvão é mala até narrando partida de futebol de botão. Pra mim Johan Cruyff foi um chato da Copa, depois de comentários extremamente grosseiros sobre a seleção brasileira, o holandês soltou o verbo contra o time de seu país. Não sei se realmente torceu pra Espanha na final, mas com certeza deixou a entender que sim, parecia indignado com a possibilidade da Holanda ser campeã sem ele, com um estilo de jogar diferente. Quem leu meus posts anteriores sobre a Copa, percebeu que eu tenho certas “reservas” quanto à atuação da mídia durante o evento por diversas razões, uma delas é pelo mau humor e falta de vontade de muitos comentaristas. Embora não tenha sido a campeã da falta de profissionalismo, a ESPN foi campeã do mau humor, personificado na figura de José Trajano. O veterano jornalista participava de mais uma Copa e conseguiu reclamar de tudo, da torcida, dos times, das cidades, da participação dos espectadores, e por aí vai. O cara tá na Disneylândia do futebol e só sabe encher o saco, então não vai, pô! Tornou intragável assistir ao bom programa Linha de Passe do seu canal e é o meu chato da Copa pessoal.
→ Piada da Copa: CALA BOCA GALVÃO, tão insuperável que chegou a ser esgotada e perder a graça. Mas é uma causa pela qual vale a pena lutar e fez também o poderoso locutor ter que engolir o orgulho e ir a público rir de si mesmo.
Publicado em 12/07/10, em Esportes, Futebol e marcado como copa do mundo, Futebol. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.





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