Para ler Pretty Little Liars
Como eu imaginava, a série de livros de Pretty Little Liars de Sara Shepard é um escândalo, ainda mais bafo do que a série deTV. Acontece que, se você ler esperando ver a amizade das 4 Liars transpostas em livro, não se dê ao trabalho, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Passando pela obviedade de que é claro que a série é baseada no livro, portanto tem a mesma história básica, a verdade é que apesar disto muito mais do que características físicas são mudadas na adaptação pra TV. É claro que vale lembrar que na TV certos traços de personalidade são muito mais sutis do que quando são elencados em páginas. Adaptação esta que eu gosto aliás, apesar de alguns problemas de roteiro e não ser exatamente sofisticada, eu acho que representa bem no gênero teen drama. Só acho que podia se beneficiar se explorasse melhor dramaticamente certos elementos, como os livros fazem.
Neste exato momento ainda estou chocada com as revelações do final do 4º livro, Inacreditáveis (Unbelieveble). Eu tinha lido spoilers, mas aparentemente li spoilers enganosos (o que acabou sendo muito mais legal, admito) e fiquei passada quando vi o desenrolar da história. A série já está em 10 livros, ao que me consta, e acredito que deve seguir tendo fôlego se a autora conseguir dar sequência a evolução das personagens e do enredo, já que muito vai ter que mudar com o fim desta primeira rodada de segredos e mentiras.
Mas não quero dar muitos spoilers nem da série nem dos livros, portanto vou me ater a comentar algumas diferenças na adaptação, especialmente na personalidade e perturbações das personagens principais, que foi o que me chamou mais atenção. Em resumo, todas elas são muito mais solitárias e incompreendidas nos livros do que na TV, é impossível não sentir um dó pungente das situações que as quatro passam. Ah nos livros que também temos uma boa lista do que não fazer em termos de atitudes parentais – ao menos nos três primeiros.
Aria nos livros é muito menos irritante e bem mais perdida do que na TV. Primeiro pois o problema com seus pais está longe de ser o que é mostrado, uma simples separação. Seu romance com Ezra (que também é um bocó nas telas) é muito menos romântico. Aria é de longe minha protagonista menos preferida na TV, ela tem as plotlines mais toscas (toda série tem uma) e é tão inútil que nem ser torturada por -A direito consegue, todas as outras três tiveram mais problemas do que ela. Mas melhora muito nas páginas – apesar de suas péssimas escolhas causarem bastante desconforto.
Hanna por sua vez tem uma personalidade que piora muito nos livros, apesar de isso não ser ruim literariamente. Nos dois primeiros ninguém me deu mais pena do que ela (e olha que em alguns momentos a disputa é dura), mas lá pelo quarto o fato de a única motivação dela é ser perfeita e uberpopular enche o saco, assim como a desconexão dela com o mundo. Ela ainda sofre bastante (bem mais do que na série) e é pisada por quase todo mundo, negligenciada pelos pais, insegura ao extremo. Sua atitude e reações são quase as de uma adolescente típica, e talvez por isso seja mais fácil gostar da simpática Hanna da TV do que da bitchy Hanna dos livros.
A Spencer dos livros é seguramente a mais complexa das personagens principais, e também a melhor. Ela também é obcecada com a perfeição, ainda que de maneira diferente de Hanna, e apesar de tomar atitudes completamente imperfeitas. Suas idas, vindas, pensamentos e motivações fazem a Spencer das páginas mais interessante que a das telas (ainda que a atriz que a interpreta na série seja a melhor entre as quatro). Sua relação com a família consegue ser mais tensa e precária do que na televisão, onde muito da série é adocicado.
Por fim, o que dizer da Emily, ela é a mais bobinha das quatro, o que começa a irritar um pouco e dá uma vontade de dar uma sacudida e dizer pra acordar pra vida. O que de vez em quando acaba acontecendo e dá um alívio. É uma personagem que geralmente vai acumulando tensão, até explodir. Também é muito indecisa, o que é compreensível, mas igualmente irritante. A Emily da TV é mais bacana. Talvez seja a única personagem que sofre nas telas tanto quanto nas páginas, mas de formas diferentes. Sua saída (traumática) do armário poderia ter sido tratada mais fielmente ao livro na televisão.
Publicado em 28/01/12, em Cultura pop e marcado como mídia, Pop, review, TV. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário
Comentários (1)